Dalila Pinto de Almeida – DPA Consultoria
Sou apaixonada pelas pessoas e procuro assegurar que, em cada contacto, consigo acrescentar valor aos negócios ou às carreiras profissionais. Áreas de especialidade: Gestão de talentos - Executive Search, Avaliação de competências e Coaching Executivo. Autora do livro "Mudar de Vida", sobre Profissionais de topo que mudaram as suas vidas.
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Dalila, há quantos anos trabalha na área de Recursos Humanos, nomeadamente na gestão de talentos?
Desde 2001 que trabalho na procura de talento e no seu desenvolvimento.
Nos últimos anos existiram mudanças significativas na gestão de talentos?
Sem dúvida. Há sobretudo uma maior atenção dada à gestão de talentos. Depois de anos de emagrecimento das empresas, estas deram-se conta de que, para além de gordura, perderam músculo. Agora, com alguma recuperação económica, são obrigadas quer a procurar talento, quer a reter aquele que têm. E para isso, é preciso estar muito atento e ser bastante criativo, ainda mais quando os níveis salariais não são competitivos.
Quais as características/capacidades que as organizações mais valorizam quando lhe pedem ajuda para encontrar novos talentos?
A capacidade de aprendizagem e de integração, serão as mais valorizadas. Hoje, a mudança é uma constante e tudo acontece a um ritmo acelerado. Embora não seja estrategicamente positivo, as empresas não têm tempo para ensinar e querem pessoas que comecem a produzir o mais rapidamente possível.
No seu percurso trabalhou com empresas multinacionais e nacionais, há grandes diferenças no que procuram umas e outras?
O que foi referido atrás, é menos visível nas multinacionais. Estas têm programas de acolhimento estruturados e criaram Academias de Formação que funcionam como autênticas Universidades, só que direccionadas para o seu negócio e para as suas particularidades.
A opção de uma organização pode colocar-se entre um candidato com experiência e um candidato acabado de sair da Universidade. Um e outro tem ofertas de valor diferenciadas, quais os pontos fortes de cada um?
Um recém licenciado não tem experiência, ou poderá ter mas reduzida, pelo que a capacidade de aprendizagem, onde se inclui a vontade de aprender e a curiosidade, são uma oferta de grande valor à partida.
Um discurso fluente num bom português e um pensamento estruturado para a abordagem de situações complexas, aliados a fortes competências relacionais, são características de grande valor quer se tenha mais ou menos experiência.
Na sua opinião o que deveria ser feito nas Universidades e ainda não o é para aproximar os alunos das organizações? Há áreas em que esse afastamento é maior do que noutras? Quais as competências que falham na formação Universitária?
As Universidades são espaços académicos por excelência, são espaços dedicados ao saber. Penso que nos últimos anos, pelo menos as mais prestigiadas, têm vindo a promover iniciativas para aproximar os seus alunos ao “mundo real”. Na fase final de uma licenciatura ou de um mestrado, começam a dar-lhes ferramentas ao nível das chamadas soft skills. Talvez pudessem iniciar esse processo mais cedo. Hoje, muitos jovens pensam em empreendedorismo, está na moda. Esse é um campo vasto de competências que são exigidas e onde existem ainda muitas falhas. Um amigo meu costuma dizer, com alguma ironia, que a maioria dos empresários não sabe o que é o iva, uma vez que quando chega a altura de o pagarem não têm dinheiro disponível. É um exemplo caricaturado do que poderia ser ensinado, questões práticas.
Um futuro profissional brilhante passa necessariamente pela emigração?
A experiência internacional, se adquirida numa boa organização, valoriza sempre um curriculo. Por outro lado, sabemos que existem mais oportunidades lá fora do que em Portugal e isso leva a que muitos emigrem. Mas, na minha opinião e baseada em exemplos que conheço, um futuro profissional brilhante não passa necessariamente pela emigração. Também há pessoas que saíram e não são melhores por isso. A questão coloca-se na obrigatoriedade de emigrar para ter trabalho. Isso é que não deveria acontecer. Deveria poder ser uma escolha.
Há alguma área em que Portugal se distinga pela qualidade da formação dos seus talentos?
Somos bons a nível das engenharias e das novas tecnologias. Hoje, encontrar talentos disponíveis nessas áreas é difícil. E lá está, muitos deles foram recrutados por outros países.
